Justificativa: A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) através do Polo Avançado de Xerém, mas com apoio e colaboração do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, do Instituto de Biologia e do Instituto de Bioquímica Média, une-se ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) visando contribuir para a formação científica de professores de Biologia dos Ensinos Fundamental e Médio. A união entre duas reconhecidas Instituições Federais acaba por refletir uma preocupação comum: o crescimento e engrandecimento do Brasil como potência mundial dependem obrigatoriamente da produção de Ciência e Tecnologia verdadeiramente nossas. No entanto, para que de fato o Brasil alcance níveis elevados de desenvolvimento social, científico e tecnológico comparados com padrões europeus e norte-americanos, é necessária uma reformulação profunda da estrutura educacional do país começando pela educação básica.
É notório que a educação básica no Brasil necessita de um aprimoramento considerável, quer na proposição de novas políticas educacionais, quer no aumento dos investimentos em educação que, atualmente, contam com uma porcentagem muito reduzida do Produto Interno Bruto, quer na valorização da carreira de professor e em melhorias na infra-estrutura das escolas. A parceria UFRJ-INMETRO dentro do acordo educacional-científico firmado para criação do Polo Avançado de Xerém, pretende dar sua contribuição para a melhoria deste panorama.
No que se refere ao Ensino de Ciências, mais especificamente da Biologia, os desafios são enormes nos diferentes aspectos do processo de ensino-aprendizagem. O homem está todo o tempo se deparando com novos conceitos e ideias resultantes da atividade científica fortemente presente em todos os ambientes e de amplo acesso via meios de comunicação como jornais, televisão e internet. Apesar de todo o avanço nas pesquisas científicas no ramo da Biologia, pouco se avançou nas metodologias de ensino empregadas atualmente.
Basicamente, toda a preparação do aluno está voltada não para encarar os avanços científicos e tecnológicos que o permitirão compreender a vida como manifestação de sistemas organizados e integrados que interagem todo o tempo, mas sim num estudo pautado pela memorização de conceitos fragmentados voltados exclusivamente para a preparação do aluno para os exames de vestibulares. Com isso há uma descaracterização da Biologia como Ciência que se preocupa com os aspectos da vida e do planeta, da formação do homem sobre si próprio e de seu papel no mundo. O ensino adequado de Ciências estimula o raciocínio lógico e a curiosidade, ajuda a formar cidadãos mais aptos a compreender a sociedade contemporânea onde vivem. O conhecimento de Ciências viabiliza o exercício da democracia, uma vez que fornece à população elementos e argumentos necessários para participar de debates, cada vez mais sofisticados, sobre temas científicos que afetam o nosso cotidiano. É consenso dentro de diferentes setores da sociedade que a Universidade e os Institutos de Pesquisa podem exercer um papel fundamental na formação do professor da educação justamente através de cursos de formação continuada de professores que visam o aprofundamento do conteúdo programático.

 

EMBASAMENTO TEÓRICO (Pedagógico)
A história dos professores mostra que estes são contrários a prática de estudos, não porque não saberiam apreciar o estudo, mas por conta de uma formação em instituições instrucionistas, muito distanciadas da pesquisa e da elaboração própria; conviveram com professores que não estudavam, apenas davam aula; foram avaliados sempre pela prova reprodutiva; e agora possuem um diploma, que, supostamente, os dispensaria de estudar, já que estudar é coisa de aluno! Invariavelmente, quando os professores recebem horas de estudo na semana, dificilmente as aproveitam para estudar, em parte porque, assoberbados com afazeres, precisam do tempo para outras coisas, em parte porque nunca aprenderam a estudar, em parte porque consideram estudo qualquer coisa. (Demo. P. 2004)
Em sociedades que prezam mais o conhecimento como fundamento imprescindível da autonomia do indivíduo e da sociedade, estudar vincula-se bem menos a procedimentos instrucionistas, realçando-se tendencialmente a dedicação reconstrutiva sistemática. (Demo. P. 2004)

 

Área de Concentração: Biologia Geral
Linhas de Pesquisa(Link):

Biologia Estrutural: Trata-se do estudo estrutural a partir da utilização de diferentes abordagens técnicas para a visualização e caracterização de macromoléculas purificadas como proteínas e ácidos nucléicos e também das células, suas organelas, sua composição macromolecular e seu comportamento diante de infecções por patógenos, doenças tumorais e neurodegenerativas ou diferentes estresses químicos e físicos como tratamentos quimioterápicos.

Biologia do Parasitismo: Dedica-se ao estudo do comportamento biológico de diferentes células e organismos após infecção com patógenos como vírus e protozoários. Alguns projetos também visam o desenvolvimento e estudo biológico de novos candidatos a fármacos para tratamento das doenças causadas por estes agentes infecciosos.

Bioquímica: Trata-se de um grupo multidisciplinar para investigar os aspectos bioquímicos e moleculares relacionados com o metabolismo celular frente a diferentes modelos de estudo como: ovogênese e embriogênese na Classe Insecta, desenvolvimento racional de novos quimioterápicos provenientes da flora brasileira em células tumorais, evolução bioquímica e molecular em bactérias, sequenciamento de proteínas e caracterização de venenos de cobra, também com fins quimioterápicos.

Biologia de Sistemas: Envolve grupos e projetos relacionados com a Fisiologia de Sistemas, Imunologia e Biologia Tecidual, procurando conhecer o funcionamento e a regulação dos diferentes sistemas biológicos frente a distúrbios alimentares, doenças como diabetes e arritmias cardíacas, infecções parasitárias como leishmaniose e doença de Chagas, processos inflamatórios e desenvolvimento de tecidos e órgãos artificiais.

Genética: Dedica-se a estudar o padrão da expressão gênica em diferentes organismos como a Drosophila melanogaster e o homem utilizando técnicas experimentais, teóricas e computacionais buscando caracterizar padrões genéticos normais e em doenças hereditárias que podem aparecer nas populações estudadas.

Ciências Ambientais: Envolve grupos e projetos dedicados ao estudo de diferentes organismos como plantas e animais em escalas microscópicas e macroscópicas que vão desde micropropagação e melhoramento biotecnológico para produção de metabólitos vegetais, caracterização e taxonomia de novos organismos encontrados na costa brasileira, estudo do impacto ambiental de metais pesados produzidos pela indústria, ecotoxicologia, contaminação de águas por cianotoxinas, até o desenvolvimento de modelos de conservação e o uso sustentável da biodiversidade.

Capacitação de Professores de Biologia: Estudo do conteúdo nas diferentes áreas do conhecimento em Biologia para capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio.
A experimentação no ensino de Biologia: Estudo para o desenvolvimento de novas metodologias e abordagens práticas para o ensino de Biologia que possam se executadas pelos professores-alunos em seus ambientes escolares.

UFRJ ProfBio / Polo Xerém
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